No último Century Summit, realizado pela Universidade de Stanford, o debate sobre longevidade, aprendizado e o futuro do trabalho trouxe um alerta importante sobre o uso da inteligência artificial (IA). Allison Pugh, professora de sociologia da Universidade Johns Hopkins, chamou a atenção para os riscos de idealizar a IA como uma solução para todos os problemas atuais.
Em sua palestra, Pugh ressaltou que muitas empresas de tecnologia focam no lucro e buscam expandir suas ferramentas de IA para áreas como ensino, mentoria e até mesmo companhia, tentando substituir o que ela chamou de “trabalho de conexão”. Esse conceito, presente em seu livro recente, reúne profissões que envolvem empatia e contato humano, como médicos, enfermeiros, terapeutas e cuidadores.
O valor da conexão humana no futuro
A socióloga defende que o futuro do aprendizado e do trabalho precisa estar centrado no potencial humano, já que a inovação surge da interação entre pessoas. Ela alerta que a IA, ao buscar manter o engajamento do usuário e atender suas necessidades sem julgamentos, pode desencorajar a busca por ajuda humana, o que representa um problema para a qualidade das relações e do desenvolvimento pessoal.
Segundo Pugh, a aprendizagem e o crescimento exigem uma certa tensão, que ela chama de “fricção”. É essa fricção que promove a criatividade e o senso de propósito, aspectos que a inteligência artificial tende a eliminar ao oferecer respostas imediatas e confortáveis. Para ela, a tecnologia deve servir para avanços como a criação rápida de medicamentos, mas não para substituir o contato humano em áreas sensíveis.
Investimentos bilionários em IA
O debate ganha ainda mais relevância diante dos investimentos massivos das grandes empresas. Recentemente, o jornal The New York Times revelou que a Meta pretende destinar US$ 65 milhões em 2026 para apoiar políticos que defendem a indústria da inteligência artificial. Esse valor representa o maior investimento eleitoral da companhia, evidenciando a importância estratégica da IA para o futuro dos negócios.
O alerta de Allison Pugh reforça a necessidade de refletir sobre o papel da inteligência artificial na educação e no trabalho, para que a tecnologia complemente, e não substitua, as relações humanas essenciais para o desenvolvimento social e profissional.
