O avanço da inteligência artificial está mudando os planos de muitos universitários. Estudantes que antes escolhiam cursos como análise de negócios e ciência da computação agora migram para áreas que valorizam habilidades interpessoais e pensamento crítico, consideradas menos vulneráveis à automação.
Josephine Timperman, de 20 anos, trocou análise de negócios por marketing na Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Ela acredita que saber se comunicar e pensar criticamente será essencial, já que essas competências não podem ser substituídas pela IA.
Uma pesquisa recente aponta que cerca de 70% dos universitários veem a inteligência artificial como uma ameaça para o futuro do emprego. Essa preocupação é ainda maior entre estudantes de tecnologia, que sentem a pressão de dominar a IA, mas temem perder espaço no mercado de trabalho.
Além disso, dados mostram que a adoção da IA é mais rápida em áreas tecnológicas, enquanto cursos de saúde e ciências naturais são menos afetados. Por isso, muitos jovens buscam formações que reforcem suas habilidades humanas, como comunicação e criatividade.
O cenário de incerteza preocupa até mesmo professores e orientadores, que não têm respostas claras para ajudar os estudantes a escolherem seus caminhos. Em encontros recentes entre líderes acadêmicos, o consenso é que o ensino precisa se adaptar para preparar os alunos para um mercado de trabalho muito diferente do atual.
Casos como o de Ben Aybar, formado em ciência da computação, mostram que mesmo profissionais da área sentem dificuldade para conseguir vagas. Ele aposta em cursos complementares e no domínio da IA para se destacar, destacando a importância de saber traduzir conhecimentos técnicos em linguagem acessível.
