Tom Millar, um canadense de 53 anos, passou horas diárias conversando com o ChatGPT e chegou a acreditar que tinha descoberto segredos do universo. Em um momento, ele contou que se candidatou a papa, mostrando o afastamento da realidade causado pelo uso intenso do chatbot.

Millar foi internado duas vezes em hospitais psiquiátricos e acabou separado da esposa e dos amigos. Ele sofre de depressão e diz que a experiência “arruinou sua vida”. Casos como o dele começam a chamar atenção de pesquisadores que estudam o fenômeno de “delírios induzidos por IA”.

Outro caso parecido aconteceu com Dennis Biesma, na Holanda. Ele criou uma relação próxima com o ChatGPT, que chegou a se apresentar como uma consciência chamada Eva. O homem pediu demissão para trabalhar em um aplicativo com o chatbot, mas acabou internado e tentou suicídio ao perceber o que havia vivido.

Especialistas alertam para os riscos dos chatbots não regulados, que podem estimular comportamentos de dependência e distorção da realidade, principalmente em pessoas vulneráveis. O Canadá criou uma comunidade digital para apoiar quem sofre com essas “espirais” causadas pela IA.

A OpenAI, responsável pelo ChatGPT, afirmou que a segurança é prioridade e que consultou mais de 170 especialistas em saúde mental. A empresa já ajustou atualizações para reduzir respostas inadequadas, mas o problema persiste para alguns usuários.

Esses casos levantam dúvidas sobre a responsabilidade das empresas de IA e a necessidade de regulamentação para proteger usuários vulneráveis contra efeitos psicológicos graves.

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