A estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026 terminou em empate com Marrocos, e jogadores e o técnico Carlo Ancelotti atribuíram o desempenho abaixo do esperado à ansiedade. A pressão, que acompanha atletas desde os treinos até os momentos fora dos holofotes, tem impacto direto no foco e na tomada de decisão.
Esse cenário não é exclusivo do esporte. Milhões de profissionais enfrentam rotina de cobrança intensa, medo de errar e dificuldade para se desconectar do trabalho. Um estudo global mostra que apenas 29% dos trabalhadores estão em um ambiente emocionalmente saudável, enquanto 34% já sofrem desgaste significativo.
Especialistas apontam que, no esporte de alto rendimento, a preparação psicológica faz parte do treinamento para lidar com a pressão, ao contrário do ambiente corporativo, onde o cuidado emocional ainda é tratado como reação tardia ao problema. A nova regra da NR-1 tenta mudar isso, obrigando empresas a gerenciar riscos psicossociais, como estresse e assédio.
O cérebro interpreta a pressão de formas diferentes. Alguns veem o desafio como ameaça, o que aumenta o cortisol e reduz o desempenho. Outros encaram como estímulo, aumentando a competitividade. No trabalho, essa diferença explica por que pessoas na mesma equipe reagem de modos opostos à cobrança constante.
Além disso, o estado contínuo de alerta prejudica a criatividade, a tomada de decisão e eleva a ansiedade, causando procrastinação e perfeccionismo. No esporte, os atletas são treinados para controlar essas reações, mas no ambiente corporativo a pressão muitas vezes se soma à hiperconectividade e à avaliação permanente, sem pausas para recuperação.
Frustrações, como perder uma vaga ou uma promoção, podem afetar a autoestima e levar ao adoecimento mental se não forem encaradas como parte do processo. Enquanto no esporte a derrota é vista como aprendizado, no trabalho ainda falta essa cultura. Descanso e recuperação, essenciais para manter a performance, são negligenciados em muitos escritórios, aumentando casos de burnout e queda na produtividade.
