A Polícia Federal investiga o senador Jaques Wagner (PT-BA) por suposta atuação em benefício do Banco Master. Segundo o inquérito da 9ª fase da Operação Compliance Zero, Wagner teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões como contrapartida por sua influência parlamentar.
O inquérito aponta que Wagner atuou em temas ligados ao crédito consignado, incluindo o aumento da margem consignável para trabalhadores, aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC. Essa proposta virou a emenda nº 30 da Medida Provisória 1.106/2022, que foi convertida em lei.
A investigação também destaca a participação do senador na aprovação da PEC 65/2023, que alterava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Essa ação teria favorecido a chamada “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).
De acordo com a PF, Wagner manteve contato direto com o banqueiro Augusto Ferreira Lima, principal do Banco Master, mesmo após a deflagração da primeira fase da operação. Houve troca de mensagens, reuniões e envio de documentos relacionados às propostas.
Apesar das evidências, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de busca e apreensão no gabinete do senador e em escritórios ligados a ele, citando a necessidade de provas mais contundentes para autorizar medidas em espaços do Poder Legislativo.
Em nota, a defesa de Jaques Wagner negou as acusações, afirmou que o apartamento não faz parte do patrimônio do senador e que ele não atuou em benefício do Banco Master. Já a defesa de Augusto Lima disse que as investigações vão comprovar a legalidade das ações do banqueiro.
