Os canabinoides, substâncias extraídas da Cannabis sativa, vêm sendo estudados como alternativa para aliviar dores crônicas e oncológicas, especialmente para reduzir o uso de opioides, que têm alto risco de dependência.
A médica Mariana Mafra Junqueira, especialista em dor, destaca que esses compostos podem ajudar a controlar a ansiedade e melhorar o sono, o que é fundamental para quem sofre com dor constante. Ela alerta que o objetivo é preservar a capacidade funcional do paciente, evitando doses que causem sedação excessiva.
O cérebro humano possui receptores específicos (CB1 e CB2) que respondem aos canabinoides produzidos naturalmente pelo corpo, chamados endocanabinoides. Os canabinoides da maconha, como o CBD (canabidiol) e o THC (tetraidrocanabinol), também estimulam esses receptores, potencializando seus efeitos.
O CBD age como anti-inflamatório, ansiolítico e modulador do sistema imunológico, enquanto o THC ajuda a aumentar o apetite, reduzir náuseas, controlar a dor e aliviar sintomas de ansiedade e estresse pós-traumático. Estudos recentes apontam que a combinação dos canabinoides, conhecida como “efeito entourage”, potencializa ainda mais esses benefícios.
Existem diferentes tipos de produtos: os “full spectrum” contêm todos os componentes da planta, os “broad spectrum” têm níveis mínimos ou nenhum THC, e há também o canabidiol isolado. Apesar do aumento de pesquisas desde 2020, ainda faltam estudos robustos e o interesse da indústria farmacêutica é limitado.
A psiquiatra Ana Gabriela Hounie ressalta que a medicina canabinoide pode ser uma revolução no tratamento de doenças neurodegenerativas, como Parkinson e esclerose múltipla, com relatos positivos das famílias dos pacientes, mesmo com poucos estudos publicados até agora.
