O caso Master virou um campo de batalha em Brasília, com políticos jogando a responsabilidade uns para os outros para evitar desgaste eleitoral. A disputa envolve ministros do Supremo, governo, Polícia Federal e grupos políticos que tentam usar o escândalo a seu favor.
Ministros do STF reclamam dos vazamentos e da falta de apoio firme do governo Lula, enquanto a Polícia Federal sofre pressão tanto do governo quanto da oposição. Há críticas sobre como as investigações estão sendo conduzidas e cobranças para que mais casos contra adversários sejam divulgados.
O Centrão e setores da direita acusam a PF de proteger o PT na Bahia, enquanto o governo tenta ligar o caso à gestão passada do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Nesse ambiente tenso, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, fez um discurso que foi visto como um desabafo diante das pressões que enfrenta.
Andrei Rodrigues mantém o cargo graças ao apoio do presidente Lula, mas não tem boa relação com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. Nos bastidores, há quem diga que o ministro evita apoiar a PF para não se queimar com o STF e o Senado, já que pode estar de olho em uma vaga no Supremo.
Em meio a essa disputa, cresce o clima de “salve-se quem puder” com a aproximação da delação premiada de Vorcaro, preso no caso. Ontem, o advogado dele se reuniu com o ministro André Mendonça para tratar da defesa do empresário, que deve ser feita com seriedade. Mendonça, por sua vez, sinalizou que pode rejeitar delações seletivas, mas o desfecho ainda é incerto.
