O agronegócio brasileiro enfrenta desafios que vão além de um mandato presidencial e quer respostas rápidas do próximo governo. Dívidas altas, falta de seguro rural, dependência de insumos importados e infraestrutura precária estão entre os principais problemas.
A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) sugeriu cinco políticas públicas para tentar resolver esses gargalos. Entre elas, estão a criação de um fundo para desastres climáticos, estímulo à produção nacional de insumos, modernização do licenciamento para obras, valorização da imagem do setor e defesa do Brasil no comércio internacional.
O financiamento rural é um dos pontos críticos. Juros altos e inadimplência crescente dificultam o crédito para produtores, que enfrentam perdas causadas por eventos climáticos e custos elevados. Atualmente, apenas 3% da produção está coberta por seguro rural. Uma nova lei publicada recentemente garante recursos obrigatórios para o seguro, o que pode ajudar a blindar o setor contra cortes orçamentários.
Na cadeia produtiva, a dependência de fertilizantes importados preocupa. O Brasil importa cerca de 80% dos adubos, muitos de regiões em conflito. O Plano Nacional de Fertilizantes tenta reduzir essa vulnerabilidade, mas seus efeitos são de longo prazo. Também há atrasos na aprovação de novas tecnologias, o que trava a inovação.
Outro desafio é a infraestrutura. A capacidade de armazenamento é baixa e as estradas, em parte, estão em más condições, elevando custos para o produtor. A demora em licenças ambientais para obras e a falta de integração entre modais de transporte dificultam o avanço. Além disso, a falta de internet em 15% dos domicílios rurais limita o uso de tecnologias no campo.
Por fim, o setor sofre com a imagem negativa no Brasil e no exterior e cobra uma comunicação mais eficiente para mostrar sua importância na segurança alimentar e no desenvolvimento econômico. O Brasil também precisa ampliar acordos comerciais e diversificar mercados para garantir a competitividade internacional.
