Idosos negros enfrentam condições de vida e saúde muito piores que os brancos, resultado de desigualdades sociais que marcam a vida desde cedo. Um estudo da USP mostrou que em São Paulo quase metade dos negros idosos avalia sua saúde como ruim, contra um terço dos brancos. Eles também têm menos acesso a serviços privados e mais hipertensão.
Nos Estados Unidos, dados da Associated Press revelam que afro-americanos lidam com maiores problemas de saúde, como mortalidade infantil, doenças mentais e Alzheimer. Bebês negros nascem mais prematuros, jovens sofrem mais traumas raciais e a hipertensão atinge 75% dos negros acima de 55 anos.
O racismo estrutural também influencia o tratamento médico. No século XIX, o cirurgião James Sims realizou cirurgias dolorosas em mulheres negras sem anestesia, baseando-se na falsa ideia de que elas suportavam mais dor. Essa crença ainda existe em parte dos profissionais de saúde.
Um estudo da Tulane University mostra que negros nos EUA têm 59% mais chance de morrer precocemente que brancos. Essa diferença se explica por desigualdades em renda, emprego, educação, acesso à saúde e moradia, entre outros fatores sociais. Quando essas desigualdades são eliminadas, o risco de morte precoce entre negros e brancos desaparece.
Ter apenas um desses fatores sociais desfavoráveis já dobra as chances de morte prematura, e com seis ou mais, o risco aumenta oito vezes. Especialistas apontam a necessidade de focar nesses determinantes sociais para reduzir as disparidades de saúde entre negros e brancos.
