Um estudo envolvendo quase 30 mil pessoas de 18 países mostra que a desigualdade social e econômica pode ser a principal causa para a maior incidência de demência entre mulheres. No caso do Alzheimer, elas são cerca de dois terços dos pacientes.

Antes, a explicação mais comum era que as mulheres vivem mais, o que aumentaria o risco da doença. Mas a pesquisadora Jessica Gong, do The George Institute for Global Health, questiona essa ideia. Ela destaca que a maioria das pesquisas vem de países ricos, enquanto os dados de países de renda média e baixa, onde a desigualdade é maior, são escassos.

Segundo o estudo, o número de pessoas com demência deve passar de 150 milhões até 2050, principalmente em países menos desenvolvidos. Muitos desses locais não têm recursos para enfrentar os fatores sociais ligados à doença.

Um relatório de 2020 apontou 12 riscos que podem ser modificados para evitar quase metade dos casos de demência. Entre eles estão baixo nível educacional, hipertensão, obesidade, diabetes, depressão, problemas de audição, álcool em excesso, tabagismo, sedentarismo, isolamento social, poluição e traumas cerebrais.

Os pesquisadores destacam a educação como um fator de proteção importante contra o declínio da memória. Em muitos países, mulheres enfrentam dificuldades para estudar e trabalhar. A epidemiologista Sanne Peters também chama atenção para a violência doméstica, que pode afetar a saúde cognitiva no futuro.

O Women’s Brain Project, criado em 2016, busca entender as diferenças entre homens e mulheres em doenças neurológicas, incluindo o impacto social e biológico. A médica Antonella Santuccione Chadha, fundadora do projeto, ressalta que o estresse de ser cuidadora, função geralmente feminina, e as barreiras educacionais são fatores que aumentam o risco para as mulheres.

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