Caminhoneiros que transportam a safra de soja pelo porto de Miritituba, no Pará, passaram dias em filas que chegaram a 45 km, sem acesso a água potável, banheiros ou locais para descanso. A situação precária foi denunciada por motoristas que ficaram até 52 horas parados entre estrada e porto.

O congestionamento, que chegou a reunir entre 1.200 e 1.500 caminhões, tomou a BR-163, uma das principais rotas de escoamento do Norte do país. Motoristas relatam que o único banho possível era em igarapés e o banheiro improvisado era o mato, sem qualquer estrutura ao redor.

Além do desconforto, os caminhoneiros acumulam perdas financeiras significativas, já que o tempo parado representa dias sem frete e sem pagamento. Muitos dependem da colheita para pagar as despesas dos veículos e acabam com o faturamento comprometido durante o período de safra, que vai de janeiro até meados de março.

O problema reflete falhas estruturais no transporte agrícola brasileiro. A maior parte da carga ainda depende do transporte rodoviário, que é mais caro e menos eficiente, principalmente devido à baixa qualidade das estradas e à falta de armazéns suficientes para guardar a produção. Apenas 12,4% das rodovias são pavimentadas, e muitos trechos são vicinais, sem asfalto e com buracos.

Especialistas apontam que o Brasil investe pouco em infraestrutura, com menos de 0,6% do PIB dedicado a isso, enquanto países como EUA e China aplicam mais de 2%. A falta de investimentos em ferrovias e hidrovias, modalidades mais adequadas para grandes volumes, agrava o problema e encarece o custo do transporte, impactando também no preço final dos alimentos.

Os portos, por sua vez, não têm capacidade para receber todo o volume de caminhões que chegam simultaneamente para exportação, fazendo com que muitos veículos precisem esperar na rodovia, piorando o congestionamento. Para motoristas como Jefferson Bezerra, essa situação resulta em danos constantes aos caminhões, além do desgaste físico e financeiro.

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