Uma pesquisa inédita do Consulado da Mulher mostra que muitas mulheres no Brasil estão abrindo pequenos negócios para lidar com a sobrecarga da vida doméstica e a instabilidade financeira. Essa forma de empreender, chamada nanoempreendedorismo, serve mais como uma estratégia de sobrevivência do que uma escolha tradicional de carreira.
Mais de 85% das entrevistadas têm filhos e quase 30% cuidam de três ou mais. Muitas também assumem responsabilidades com idosos da família. A maioria está na faixa dos 30 aos 49 anos, vivendo na chamada geração sanduíche, com múltiplas demandas de cuidado simultâneas.
Para 75% das mulheres, abrir o próprio negócio foi uma resposta a crises como desemprego, queda de renda ou dificuldade de conciliar um emprego formal com as tarefas domésticas. Mesmo quando há oferta de emprego CLT, a carga de trabalho e o cuidado familiar continuam pesando, já que 70% são as principais responsáveis pelo trabalho doméstico e a divisão das tarefas com parceiros é desigual.
Os negócios são, em sua maioria, informais e faturam até R$ 3 mil por mês, com a renda do empreendimento muitas vezes misturada à renda familiar. Apesar da baixa margem de crescimento, mais de 78% dessas iniciativas duram mais de três anos, principalmente em áreas como alimentação, artesanato e costura.
A jornada dessas mulheres é exaustiva: 60% trabalham mais de cinco horas por dia em seus negócios, e somando as tarefas domésticas, muitas passam mais de 10 horas diárias ocupadas. Mesmo assim, cerca de 60% preferem continuar empreendendo a retornar a um emprego formal, valorizando a flexibilidade que o empreendedorismo oferece.
O estudo também aponta problemas de saúde mental e física decorrentes dessa rotina pesada, além de destacar o papel das redes de apoio, como a igreja, na sustentação social e prática dessas mulheres. A formalização ainda é baixa, com quase metade atuando na informalidade, principalmente devido ao custo e à insegurança financeira.
