Os sintomas causados pela queda do estrogênio, principal hormônio feminino, podem começar a aparecer até dez anos antes da menopausa. Além disso, problemas como ondas de calor, suores noturnos e dificuldades para dormir costumam persistir por mais de uma década após o fim dos ciclos menstruais, prejudicando a qualidade de vida de muitas mulheres.
Uma recente revisão publicada na revista Canadian Medical Association Journal reforça o uso da terapia de reposição hormonal para mulheres que não apresentam fatores de risco. A médica Iliana Lega, professora da Universidade de Toronto e coautora do estudo, destaca que a perimenopausa e a pós-menopausa podem causar sofrimento físico e emocional significativo, e que o receio quanto à terapia hormonal acabou afastando muitas pacientes do tratamento adequado.
Benefícios e precauções da reposição hormonal
O estudo aponta que a reposição pode reduzir as ondas de calor em até 90% nas mulheres com sintomas moderados a graves. Além disso, há melhora no perfil lipídico, possível diminuição do risco de diabetes tipo 2 e menor chance de fraturas ósseas. Pesquisas recentes também indicam que o tratamento iniciado precocemente, antes dos 60 anos, pode contribuir para a redução do risco de doença coronariana.
Por outro lado, embora pesquisas anteriores tenham sugerido um aumento do risco de câncer de mama, esse risco é considerado baixo para mulheres entre 50 e 59 anos que começam a reposição nos primeiros dez anos após a menopausa. Já o risco de acidente vascular cerebral pode aumentar em mulheres que iniciam o tratamento após os 60 anos e muitos anos depois da menopausa.
Alternativas para quem não pode usar reposição hormonal
Mulheres que possuem histórico de câncer de mama, câncer endometrial, doenças cardíacas ou mutações pró-trombóticas, ou que preferem não fazer terapia hormonal, podem recorrer a tratamentos não hormonais para controlar os sintomas da menopausa.
