Um registro feito à mão por um agente de segurança do Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), aponta que malas e bolsas foram liberadas sem passar pelo raio-x em um voo com presença do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do senador Ciro Nogueira, no dia 20 de abril de 2025.
O bilhete, obtido pela Polícia Federal, revela que o auditor fiscal da Receita Federal, Marco Antônio Canella, autorizou a liberação das bagagens, incluindo eletrônicos e garrafas, mesmo com o alarme do pórtico apitando. A investigação quer entender se esse caso foi isolado ou parte de uma conduta irregular.
O voo PP-OIG saiu da ilha caribenha de São Martinho, considerada paraíso fiscal pela Receita desde 2016. A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, que já foi alvo de CPI no Senado.
Além de Motta e Nogueira, estavam a bordo os deputados Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões, conforme lista de passageiros recolhida pela PF. O inquérito apura crimes de prevaricação e facilitação de contrabando e foi enviado ao Supremo Tribunal Federal em abril de 2026, por envolver parlamentares com foro privilegiado.
O piloto José Jorge de Oliveira Júnior disse não lembrar do episódio, mas afirmou que segue os procedimentos padrão de desembarque. O auditor responsável ainda não se manifestou sobre o caso.
Hugo Motta declarou que cumpriu todos os protocolos aduaneiros e aguarda posicionamento da Procuradoria-Geral da República. O senador Ciro Nogueira e outros parlamentares não se pronunciaram até o momento.
