O samba perdeu uma de suas grandes vozes neste domingo com a morte de Noca da Portela, aos 93 anos, no Rio de Janeiro. O cantor e compositor mineiro, radicado no Rio desde criança, morreu devido a pneumonia e complicações relacionadas a uma infecção urinária.
Oswaldo Alves Pereira, nome de nascimento do artista, deixou um legado de cerca de 500 sambas, incluindo sucessos como “Virada”, gravado por Beth Carvalho, e “É preciso muito amor”, regravado por Zeca Pagodinho e Dudu Nobre. Ele também é conhecido pelo samba-enredo da Portela, escola de samba que representou durante décadas.
Noca chegou à Portela em 1966, indicado por Paulinho da Viola, e venceu sete vezes o concurso de samba-enredo da escola. Entre seus sambas para a Portela estão “Recordar é viver” (1985), “Gosto que me enrosco” (1995) e “Os olhos da noite” (1998). O compositor também criou o hino informal “Portela querida”, em parceria com Colombo e Picolino.
Além da Portela, Noca teve ligação com outras escolas e blocos cariocas, como Paraíso do Tuiuti e Simpatia é quase amor. Grandes nomes do samba, como Alcione e Paulinho da Viola, interpretaram suas composições. Também colaborou com Martinho da Vila em sambas importantes.
Como cantor, Noca lançou vários álbuns ao longo da vida, sendo o último “Coleção Flores em vida vol. 1”, lançado em abril de 2026. Sua obra sempre teve um tom de militância, com letras que defendiam democracia, justiça social, além de temas sobre amor e vida.
