Quase 40 anos depois do desastre nuclear de Chernobyl, a região que era vista como um território morto virou um inesperado refúgio para a vida selvagem. A zona de exclusão, criada após a explosão do reator em 1986, agora abriga diversas espécies que prosperam longe da presença humana.

A área proibida, que cobre cerca de 2.600 km² na Ucrânia, está livre de moradores e atividades econômicas desde o acidente. Essa ausência humana permitiu que animais como lobos-cinzentos, ursos-pardos, linces, alces, javalis, cervos e bisões europeus se espalhassem pela região. Até os cavalos-de-przewalski, quase extintos na natureza, foram reintroduzidos e vivem livremente ali.

Um estudo recente, realizado entre 2020 e 2021, usou câmeras para registrar a presença de 13 espécies diferentes em uma área que inclui a zona de exclusão e reservas próximas. Mais da metade das detecções ocorreram dentro da própria Chernobyl, mostrando que a diversidade e a quantidade de animais são maiores ali do que em áreas protegidas com gestão ativa.

Os pesquisadores destacam que a recuperação da fauna está ligada principalmente à ausência humana, que eliminou a caça e o uso da terra. Embora a radiação ainda esteja presente, ela parece afetar menos a distribuição dos grandes mamíferos do que se pensava. Algumas espécies, como as pererecas, até apresentam adaptações, como coloração mais escura para proteção contra a radiação.

Essa transformação inesperada coloca Chernobyl como um exemplo de como grandes áreas protegidas e livres da interferência humana podem favorecer a conservação da vida selvagem, mesmo em ambientes contaminados. O acesso à região, porém, tem sido mais restrito desde 2022 devido ao conflito na Ucrânia, dificultando novas pesquisas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *