A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que proteger crianças e adolescentes na internet é uma prioridade urgente. O alerta vem junto com críticas às medidas que só limitam a idade para acesso a redes sociais, apontando que isso não é suficiente.

Volker Türk, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, destacou que os abusos online estão ligados ao funcionamento das plataformas, que usam recursos viciantes como rolagem infinita, vídeos que tocam automaticamente e notificações constantes para prender o usuário. Segundo ele, esses elementos tornam o ambiente digital inseguro para os jovens.

Países como Austrália e França já adotaram regras para impedir o acesso de menores a redes sociais, mas Türk afirmou que focar só na idade não resolve o problema. Ele defende que as empresas criem sistemas de proteção desde a concepção dos produtos, sem deixar toda a responsabilidade para os pais ou usuários.

O alto comissário também alertou que as restrições podem ser facilmente burladas, e que isso pode fazer com que menores busquem plataformas ainda mais perigosas e menos fiscalizadas. Por isso, a ONU lançou dez diretrizes para aumentar a segurança online das crianças, incluindo configurar automaticamente o máximo de proteção de dados para menores e proibir o uso comercial de seus dados pessoais.

Mais de 10 milhões de crianças em países de baixa e média renda já sofreram abuso sexual na internet, segundo dados citados pela ONU, reforçando a necessidade de medidas mais eficazes e abrangentes para garantir a segurança digital dos jovens.

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