Especialistas dos Estados Unidos e da China alertam que sistemas de inteligência artificial podem interferir em comandos nucleares ou lançar ataques digitais, deixando os países com poucos minutos para reagir a possíveis agressões. Por isso, eles recomendam medidas de segurança rigorosas para evitar crises entre as duas potências.
Entre as propostas estão limites claros para o uso da IA em armas nucleares, controle humano obrigatório para ataques digitais de grande impacto e a criação de uma linha direta exclusiva para tratar incidentes envolvendo IA autônoma. A ideia é evitar que falhas ou mal-entendidos sejam interpretados como ataques reais, prevenindo uma escalada militar.
Essas recomendações foram apresentadas antes das negociações oficiais entre os governos, incluindo a reunião marcada para o final de setembro em Washington entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. O diálogo técnico envolve pesquisadores de instituições como a Brookings Institution e a Universidade de Fudan, que atuam desde 2019 na discussão sobre IA e segurança nacional.
Os especialistas reforçam que só humanos devem autorizar ataques digitais que envolvam sistemas nucleares ou infraestruturas críticas, como energia e saúde. Eles também defendem uma definição comum para o conceito de “controle humano significativo”, para que EUA e China não usem os mesmos termos para justificar níveis diferentes de autonomia das máquinas.
Além disso, a proposta inclui uma linha direta militar para evitar respostas automáticas e rápidas demais da IA, que poderiam ser mal interpretadas e gerar retaliações precipitadas. No entanto, especialistas apontam dificuldades práticas para esse canal funcionar, citando o histórico de falta de comunicação efetiva entre os dois países em crises anteriores.
Nem Washington nem Pequim se pronunciaram oficialmente sobre as recomendações, mas ambos seguem incorporando a IA em seus sistemas de armas, enquanto mantêm cautela para não prejudicar seus avanços tecnológicos. A rivalidade entre as duas potências no campo da inteligência artificial já ultrapassa a disputa por chips e modelos avançados, envolvendo também temas sensíveis de segurança global.
