O ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, enviou à Câmara dos Deputados um documento destacando o risco de os Estados Unidos usarem força militar no Brasil após terem classificado as facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras.
Apesar da preocupação oficial, o Itamaraty afirma que não há nenhum novo indício concreto para justificar essa possibilidade. A avaliação se baseia em recentes ações dos EUA na América Latina, como a intervenção militar na Venezuela, ataques a embarcações na costa da Colômbia e ameaças contra Cuba.
Em janeiro, os EUA realizaram uma operação que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro na Venezuela, marcando a primeira intervenção militar direta na região em décadas. Em outubro de 2025, ataques a barcos próximos à Colômbia foram atribuídos a traficantes de drogas, embora sem provas públicas. Além disso, o presidente Donald Trump declarou que Cuba poderia ser o próximo alvo, aumentando a pressão sobre o governo cubano.
O governo brasileiro critica a classificação das facções como terroristas, alegando que ela não contribui para combater o crime organizado e pode prejudicar pessoas e empresas sem relação com essas organizações. Segundo Mauro Vieira, essa designação pode ser usada para justificar ações extraterritoriais contra instituições brasileiras, inclusive no campo financeiro e migratório, além de abrir espaço para uma intervenção militar.
O Brasil já propôs cooperação bilateral aos EUA para combater o crime organizado, mas não obteve resposta. O Itamaraty reforça que sua posição não defende as facções, mas sim a soberania nacional e a competência das instituições brasileiras para tratar dos problemas internos.
