Viih Tube lançou um reality show com prêmio de R$ 20 mil para seus funcionários, mas a repercussão foi negativa. O Ministério Público do Trabalho abriu investigação após denúncias e a influenciadora explicou que o programa era uma encenação para conscientizar sobre a escala 6×1, sem revelar essa intenção ao público.

Especialistas apontam que enganar para gerar engajamento nas redes sociais é uma estratégia antiga, mas que já perdeu força. O chamado “rage bait”, ou isca de raiva, aumenta curtidas e comentários, mas desgasta a imagem do influenciador a longo prazo.

Priscila Milk, professora da ESPM, destaca que o algoritmo das redes não diferencia o conteúdo positivo ou negativo, beneficiando posts polêmicos que geram receita. Marcas, por sua vez, podem ser enganadas por números inflados durante crises, o que cria um ciclo de publicações controversas para atrair atenção.

Por outro lado, o público está mais maduro e rejeita esse tipo de manipulação. Mariana Munis, professora do Mackenzie, diz que muitos influenciadores ainda tentam usar fórmulas ultrapassadas, mas os internautas já não toleram mentiras disfarçadas de entretenimento.

Existem exemplos de mentiras usadas de forma positiva, como campanhas publicitárias abertas e rápidas, que não prejudicam a confiança. Mas quando a enganação se prolonga e não é esclarecida, a credibilidade e as parcerias comerciais podem ser seriamente afetadas.

Legalmente, mesmo sem punições específicas para mentiras digitais, o Código de Defesa do Consumidor pode ser aplicado em casos de propaganda enganosa. Segundo o advogado Márcio Casado, influenciadores que lucram com suas publicações devem responder por discursos que induzem o público ao erro.

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