Os canabinoides, substâncias extraídas da planta Cannabis sativa, estão sendo cada vez mais estudados como alternativa para o tratamento da dor crônica, especialmente em casos de câncer avançado. Especialistas apontam que esses compostos podem ajudar a diminuir a dependência dos opioides, comuns em tratamentos tradicionais.

A médica Mariana Mafra Junqueira, referência no assunto, destaca que, apesar do aumento no número de pesquisas desde 2020, ainda faltam estudos sólidos para embasar o uso clínico. No entanto, os canabinoides já mostram efeitos positivos no controle da ansiedade e na melhora do sono, aspectos fundamentais para pacientes que sofrem com dores persistentes.

O cérebro humano possui receptores que respondem aos canabinoides, tanto os produzidos pelo próprio organismo quanto os vindos da planta. Entre os principais compostos estão o CBD (canabidiol) e o THC (tetraidrocanabinol). Enquanto o CBD age como anti-inflamatório e ansiolítico, o THC ajuda a aliviar náuseas, estimular o apetite e reduzir dores e espasticidade.

Especialistas também ressaltam o chamado “efeito entourage”, que acontece quando diferentes canabinoides atuam juntos, potencializando seus benefícios. Produtos com espectro completo da planta (full spectrum) aproveitam essa sinergia, enquanto outros apresentam composições sem ou com níveis mínimos de THC.

Além da dor, a medicina canabinoide tem mostrado potencial em doenças neurodegenerativas como Parkinson, demências e esclerose múltipla. Ainda que a indústria farmacêutica não demonstre interesse em pesquisas, familiares de pacientes relatam melhorias significativas, apontando para uma mudança importante no tratamento dessas condições.

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