O endividamento das famílias brasileiras teve uma leve queda em setembro, marcando a primeira redução desde dezembro de 2025. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, a proporção de famílias com dívidas passou de 82% em agosto para 81,7% no mês seguinte.

Apesar da redução geral, a inadimplência apresentou comportamento diferente entre as faixas de renda. Para famílias que ganham até 3 salários mínimos, houve queda na inadimplência, enquanto o índice subiu para quem recebe mais de 10 salários mínimos, única faixa com aumento no indicador.

A pesquisa também aponta que a parcela de famílias com dívidas atrasadas diminuiu ligeiramente, passando de 29,9% para 29,6%, e o percentual de famílias muito endividadas caiu para 17,3%. Porém, o tempo médio de atraso aumentou pelo segundo mês seguido, chegando a 65,3 dias, o maior desde novembro de 2024.

O estudo revela ainda que 18,1% das famílias não têm dívidas a vencer, número maior que o registrado em agosto. Mesmo assim, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas segue alto, com 29,6% da renda destinada a isso, e quase 20% das famílias comprometendo mais da metade do orçamento mensal.

Especialistas destacam que o aumento da inadimplência entre os mais ricos pode estar ligado à estratégia de manter dinheiro investido enquanto parcelam compras. Já para famílias de menor renda, a estabilidade ou queda na inadimplência pode estar relacionada à previsibilidade da renda e renegociações de dívidas.

O alerta fica para o uso do crédito, especialmente cartão e parcelamentos, que podem comprometer o orçamento quando usados para despesas imediatas, dificultando o controle financeiro e aumentando o risco de endividamento prolongado.

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