O Ibovespa fechou a semana com queda superior a 18%, aos 167.922 pontos, após cinco pregões seguidos de perdas. A turbulência veio na esteira da reeleição de Lula e colocou a Bolsa brasileira entre as semanas mais negativas desde o Plano Real.
Um levantamento da Elos Ayta aponta que o recuo foi o quinto maior no período. Em março de 2020, no início da pandemia, o índice caiu 18,88%. As perdas também foram mais intensas durante a crise asiática de 1997, a crise financeira de 2008 e na semana dos ataques de 11 de setembro de 2001.
O impacto chegou também às empresas listadas na B3, que perderam R$ 963 bilhões em valor de mercado. Já o dólar, medido pela taxa Ptax, subiu 7,61% na semana, a maior alta semanal desde setembro de 2011, segundo o levantamento.
Analistas atribuem a reação, em parte, à revisão das expectativas dos investidores sobre a política econômica e as contas públicas. A dívida bruta do país alcançou 82,9% do PIB em agosto, cerca de R$ 11,1 trilhões. A preocupação com os gastos e a trajetória da dívida pode levar investidores a exigir juros maiores para financiar o governo.
A expectativa é de que a volatilidade continue, com o mercado atento aos próximos sinais do governo sobre a equipe econômica e o plano fiscal, além da decisão do Copom sobre a Selic. Especialistas avaliam que pode haver uma recuperação pontual da Bolsa, mas uma retomada mais consistente dependerá de maior previsibilidade econômica e de medidas para as contas públicas.
