Após os terremotos que atingiram a Venezuela em junho, o programador Jorge Bastidas, de 32 anos, criou um site para ajudar a localizar pessoas desaparecidas. Morando na Argentina e trabalhando em Bogotá, ele se viu impossibilitado de ajudar diretamente e decidiu lançar a plataforma “Desaparecidos Terremoto Venezuela” em poucas horas.

O portal recebeu mais de 82 mil cadastros de pessoas desaparecidas. Depois de verificar e eliminar duplicatas com voluntários, cerca de 29,4 mil ainda não foram localizadas. O governo venezuelano, até o momento, não divulgou dados oficiais ou criou um canal para registrar esses casos.

Para montar o site rapidamente, Bastidas usou inteligência artificial que ajudou a organizar e validar as informações. Em um pico de acesso, cerca de 800 mil usuários acessaram a plataforma, que precisou ser reforçada para suportar o tráfego.

Além do cadastro, o site conta com uma ferramenta de reconhecimento facial, adaptada de um modelo usado por serviços forenses do México e Guatemala. Essa função auxiliou na identificação e na exclusão de registros repetidos, sendo bastante utilizada nos primeiros dias após o desastre.

Enquanto Jorge cuidava da parte técnica, uma equipe na Venezuela coletava listas manuscritas de hospitais para cruzar informações e marcar pessoas encontradas. Foram reunidos mais de 3 mil registros de unidades de saúde de Caracas e La Guaira.

A plataforma enfrentou ataques digitais e teve que implementar filtros rigorosos para impedir o envio de informações falsas ou inadequadas. Jorge planeja abrir uma central de atendimento para confirmar os dados diretamente com os familiares, buscando ampliar a precisão das informações.

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