Maria Bethânia chega aos 80 anos com uma trajetória de mais de seis décadas nos palcos, iniciada em 1963 em Salvador. Apesar de não fazer grande alarde, seus fãs celebram a data, especialmente após o show dos 60 anos de carreira realizado no ano passado.
Para marcar essa data, destacamos oito álbuns menos conhecidos da rainha da MPB, que mostram diferentes fases da sua discografia, sempre coerente desde o início em 1965.
O primeiro é o álbum “Maria Bethânia” (1969), seu primeiro trabalho solo de estúdio, que rompeu com o rótulo de cantora de protesto e apresentou uma mistura de sambas-canção e temas afro-brasileiros, com forte teatralidade.
Em seguida, “Maria Bethânia ao vivo” (1970) captura a energia dos shows em boates cariocas dos anos 60, com destaque para canções de Caetano Veloso e sambas de roda tradicionais.
O disco “Alteza” (1981) marcou uma fase de vendas menores e sinalizou o desgaste do estilo orquestral que vinha sendo usado, mas trouxe faixas importantes como “Maravida” de Gonzaguinha e “Purificar o Subaé”, com participações de Gilberto Gil e Caetano Veloso.
Outro álbum introspectivo é “A beira e o mar” (1984), que fugiu da tendência tecnopop da época e trouxe interpretações marcantes, incluindo canções inéditas de Milton Nascimento e Caetano Veloso.
Em “Maria” (1988), Bethânia reafirmou sua independência artística, com arranjos acústicos e participações especiais como Gal Costa e o grupo sul-africano Lady Smith Black Mambazo.
O disco “Olho d’água” (1992) é um trabalho acústico pouco conhecido, que inclui clássicos de Jobim e Vinicius de Moraes e músicas que remetem à sua terra natal, Santo Amaro da Purificação.
Já “Tua” (2009) celebrou o amor de forma mais suave, com músicas de Adriana Calcanhotto, Chico César e parceria com Lenine, mas acabou ofuscado pelo álbum “Encanteria”, lançado ao mesmo tempo.
Por fim, “Meus quintais” (2014) mergulha no Brasil rural, com músicas que evocam indígenas, caboclos e a vida interiorana, reforçando a ligação de Bethânia com suas raízes.
