Um tratamento experimental com terapia celular CAR-T, desenvolvido pela USP em parceria com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto, está revolucionando o combate ao câncer na rede pública de São Paulo. Paulo Peregrino, paciente com câncer há 13 anos, teve remissão completa do linfoma em apenas um mês após o procedimento.

Até agora, 14 pacientes receberam o tratamento pelo SUS, e todos apresentaram redução de pelo menos 60% nos tumores. Paulo estava prestes a iniciar cuidados paliativos quando passou pelo tratamento em abril e recebeu alta no final de maio.

O procedimento consiste em modificar geneticamente as células T do próprio paciente para que elas ataquem o câncer. A técnica é rara e muito cara, custando cerca de R$ 2 milhões na rede privada. A versão nacional, produzida em laboratórios de São Paulo e Ribeirão Preto, tem potencial para atender 300 pacientes por ano.

Com autorização da Anvisa para iniciar um estudo clínico, o projeto prevê tratar 75 pacientes no segundo semestre com verba pública. A expectativa é ampliar o acesso a essa terapia para leucemia linfoblástica B e linfoma não Hodgkin de células B, com possibilidade de economia de R$ 140 milhões em comparação ao custo privado.

O caso de Paulo emocionou médicos e pesquisadores pela rapidez da resposta. Dos 14 pacientes do estudo, 69% tiveram remissão completa em 30 dias. Paulo seguirá em acompanhamento em São Paulo e planeja comemorar sua recuperação em novembro.

O avanço representa uma esperança para muitos pacientes com câncer em estágios avançados, que até então tinham poucas opções de tratamento acessíveis pelo SUS.

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