Integrantes do Progressistas (PP) afirmam que a senadora Tereza Cristina aceitou o convite para ser vice de Flávio Bolsonaro mesmo sabendo que o partido não apoiaria a chapa. A decisão teria sido motivada por pressões do agronegócio, principalmente de Mato Grosso do Sul, que cobrava dela uma aproximação com o senador do PL.

Nos bastidores, Tereza Cristina resistia à ideia, mas recuou para atender aos setores produtivos. Um deputado do PP confirmou que o gesto foi mais para agradar o agro do que um real interesse na aliança.

O encontro entre Flávio Bolsonaro e a senadora ocorreu na última quarta-feira (29). Na nota divulgada no dia seguinte, Tereza disse que o assunto da vice-presidência foi apenas discutido e nenhuma decisão foi tomada. Seus aliados afirmam que uma nova reunião só aconteceria com a aprovação do PP.

Além do desgaste político, o PP enfrentou problemas burocráticos para formalizar a coligação. O partido não convocou convenção nacional, exigida para lançar candidatos ou formar alianças. A convocação deve ser feita com pelo menos oito dias de antecedência, prazo que não foi cumprido, já que o limite para as convenções eleitorais termina em 5 de agosto.

Embora alguns defendessem flexibilizar a regra, a direção do PP temia que isso gerasse disputas judiciais e optou por não avançar. Fontes do partido afirmam que o PL perdeu o momento certo para convidar Tereza Cristina, e a desorganização da campanha de Flávio afastou a possibilidade de união.

Com cenário eleitoral mais favorável a Lula, o PP não vê vantagem em salvar a candidatura de Flávio Bolsonaro e mantém a decisão de independência nas eleições deste ano.

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