Desde a retomada das eleições diretas em 1982, São Paulo nunca elegeu um governador de um partido de esquerda. O Palácio dos Bandeirantes foi ocupado por políticos do PMDB, PSDB e, recentemente, do Republicanos.
A primeira eleição direta após a ditadura teve vitória de Franco Montoro, do PMDB. Ele foi seguido por Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury Filho, também do PMDB. Em 1994, Mário Covas venceu pelo PSDB, que dominou o governo estadual por quase 30 anos, até 2018, quando João Doria foi eleito. Em 2022, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, quebrou essa sequência.
Segundo o cientista político Henrique Curi, a hegemonia tucana não se explica só pelo perfil do eleitorado paulista. A estrutura organizacional do PSDB nos municípios e a capacidade de formar lideranças foram decisivas para o sucesso prolongado.
O PSDB apostou em uma forte presença municipal, com diretórios ativos em quase todas as cidades, monitorados pela Executiva estadual. O partido usava um sistema próprio para avaliar o desempenho local e premiar ou punir diretórios, além de atrair tanto políticos novatos quanto experientes. Essa organização ajudou a consolidar a força do partido no estado.
Por outro lado, o PT, principal partido de esquerda, tem mais força na capital, mas enfrenta dificuldades para se expandir no interior, onde o agronegócio e o antipetismo são fortes. A falta de uma estrutura municipal comparável à dos adversários dificulta a vitória do PT nas eleições estaduais.
Desde 2018, o PSDB enfrenta crise interna, perda de lideranças e mudança na polarização política nacional, com a ascensão de Jair Bolsonaro como principal oposição ao PT, enfraquecendo o papel tradicional do PSDB. Nas eleições municipais de 2024, o PSDB sofreu grande queda, passando de 173 para 21 prefeituras em São Paulo, enquanto partidos como PSD, PL e Republicanos ampliaram sua presença.
