O uso do crédito rotativo do cartão de crédito atingiu um novo recorde nos primeiros oito meses de 2026, segundo dados do Banco Central. Foram contratados R$ 311 bilhões, valor que supera os R$ 266 bilhões do mesmo período do ano passado e já se aproxima do total de 2025, que foi de R$ 403 bilhões.

Essa modalidade de crédito, com o maior juro do mercado — 445% ao ano em agosto —, é acionada por quem não consegue pagar a fatura completa na data de vencimento. Com taxas tão altas, a inadimplência chega a 63,5%, ou seja, mais de R$ 60 a cada R$ 100 emprestados não são pagos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que está conversando com o Banco Central para limitar a quantidade de cartões de crédito por pessoa a apenas um. A medida visa conter o endividamento crescente da população. Lula citou um caso de um pai que acumulou R$ 80 mil em dívida em quatro cartões de crédito.

Atualmente, cerca de 101 milhões de brasileiros usam cartão de crédito, e 40 milhões estão endividados no rotativo. Especialistas recomendam evitar essa linha de crédito e pagar sempre o valor total da fatura para não cair nas armadilhas dos juros altos.

Desde janeiro de 2024, o governo e o Congresso limitaram o endividamento no rotativo para que o valor da dívida não ultrapasse o dobro do saldo original. Mesmo assim, o uso do rotativo disparou após a pandemia, especialmente com o fim do Auxílio Emergencial e a alta da inflação, que chegou a 10% em 2021.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou que muitas pessoas estão usando o rotativo como se fosse parte do salário, o que preocupa a instituição. Para reduzir essa dependência, o governo tem ampliado o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, com condições mais acessíveis e juros menores.

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