A Polícia Federal desmontou um esquema do Banco Master que usava ferramentas simples como Word e PDFs para fabricar documentos falsos em grande escala. Funcionários extraíam dados reais de clientes e criavam contratos e procurações falsas para simular uma carteira de créditos inexistente.

O esquema envolvia uma empresa de fachada, Tirreno Consultoria, usada para fingir cessões de crédito consignado no valor de R$ 7,15 bilhões. O Banco Master repassava essas carteiras fictícias para o Banco de Brasília (BRB), criando uma linha de montagem digital para dar aparência legal às operações.

Os documentos eram montados com dados extraídos de sistemas internos, usando mala direta do Word para gerar milhares de procurações e códigos desenvolvidos internamente para manipular PDFs, separando páginas de assinaturas para reutilização. Depois, os arquivos eram reunidos em dossiês únicos para apresentação.

Para esconder a fraude, os envolvidos apagavam ou alteravam datas e informações que pudessem revelar a falsificação. Em um caso, um termo de consentimento com data original de 2023 teve o registro removido visualmente em 2025. Mesmo assim, a perícia digital identificou as manipulações ao comparar datas dos documentos com os registros das assinaturas digitais.

A tentativa de ocultar rastros chegou até aos comprovantes bancários, que também foram alterados para retirar informações ligadas às operações originais, embora a alteração em larga escala tenha sido limitada pela dificuldade técnica.

Além da produção dos documentos, o grupo planejava como justificar inconsistências para a auditoria, chegando a combinar respostas para explicar eventuais questionamentos. A investigação mostrou que a documentação falsa chegou até a alta direção do banco, incluindo o proprietário.

Por peb_hn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *