O filme “Plano 75”, da diretora Chie Hayakawa, mostra um Japão distópico em que pessoas com 75 anos ou mais são incentivadas a optar pela eutanásia. A obra, premiada em Cannes 2022, já está em cartaz no Reino Unido, mas ainda não tem previsão de estreia no Brasil.
Na trama, o governo enfrenta uma crise social e econômica causada pelo rápido envelhecimento da população. Com quase 30% dos japoneses idosos, o país tem uma taxa de natalidade muito baixa e uma expectativa de vida alta, o que pressiona os sistemas sociais e econômicos.
Os idosos no filme se veem como um peso para a sociedade e recebem um bônus para aproveitar pequenos prazeres antes de aceitarem a eutanásia, que é apresentada como uma solução oficial e consentida.
Chie Hayakawa adotou um estilo que lembra documentário. A narrativa começa com um ataque a idosos em uma instituição, mostrando um Japão cada vez mais intolerante com seus cidadãos mais vulneráveis, como idosos, deficientes e pessoas em situação difícil.
A diretora cita a ideia da “banalidade do mal”, conceito da filósofa Hannah Arendt, para ilustrar como a burocracia pode desumanizar e tornar aceitável o extermínio de grupos frágeis.
