O governo brasileiro bloqueou em abril pelo menos 27 sites de apostas conhecidos como mercados de previsão, entre eles Polymarket e Kalshi, que permitem apostar na ocorrência de eventos como eleições. Apesar da proibição, essas plataformas continuam sendo usadas nas redes sociais, principalmente por políticos e apoiadores da direita, como suposta alternativa às pesquisas eleitorais tradicionais.
Nas redes, especialmente no X, perfis ligados ao bolsonarismo compartilham dados dessas apostas para mostrar Flávio Bolsonaro liderando a corrida presidencial, contestando os institutos de pesquisa. Eduardo Bolsonaro e outros apoiadores têm divulgado esses números, mesmo com o acesso aos sites bloqueado no Brasil, o que força o uso de VPN para entrar nas plataformas.
Especialistas alertam que essas apostas não refletem a intenção de voto da população. Elas indicam a probabilidade de vitória calculada pelo dinheiro apostado, que pode ser influenciada por poucos investidores com alto poder financeiro e acesso a informações privilegiadas. Pesquisas eleitorais, por sua vez, medem o momento do eleitorado com métodos científicos e amostras representativas.
O volume financeiro movimentado nessas plataformas é alto: só no Polymarket, contratos relacionados à eleição de 2026 ultrapassaram US$ 86 milhões em maio, com Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos liderando em movimentação. Mesmo assim, o cenário das apostas pode mudar rapidamente, como aconteceu após a divulgação de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro.
O bloqueio das plataformas veio após decisão do Conselho Monetário Nacional, que considera esse tipo de aposta irregular no Brasil. O ministro da Fazenda destacou que não é permitido negociar derivativos baseados em eventos como eleições ou previsão do tempo. O mercado regulado de apostas esportivas pressionou pelo bloqueio, alegando concorrência desleal, já que as plataformas estrangeiras não têm sede nem pagam taxas no país.
Para especialistas, o problema é regulatório e envolve o risco de manipulação e uso de informações internas, algo que não ocorre nas pesquisas eleitorais. Eles recomendam o uso de agregadores que calculam probabilidades com base em pesquisas oficiais para quem busca uma análise mais confiável do cenário eleitoral.
