O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, manifestou preocupação com a oferta de crédito considerada agressiva e predatória no Brasil. Segundo ele, muitos consumidores se preocupam apenas com o valor da parcela mensal, sem avaliar os juros altos e o custo total da dívida.

Galípolo destacou que cerca de 100 milhões de brasileiros estão endividados com cartão de crédito, e metade deles enfrenta taxas próximas a 15% ao mês. Isso compromete uma parte significativa da renda das famílias, que acabam priorizando o valor da prestação em vez dos juros cobrados.

O cartão de crédito, especialmente o crédito rotativo, é apontado como principal vilão do endividamento. Em janeiro, os juros dessa modalidade atingiram 425% ao ano, e o saldo dessa dívida cresceu 31%, chegando a R$ 84,8 bilhões. O endividamento das famílias alcançou níveis recordes, com quase 30% da renda comprometida apenas para pagar dívidas.

Para conter o problema, o Banco Central estuda medidas para aumentar a transparência e o tempo de análise na contratação de empréstimos. Uma proposta em análise é exigir que consumidores vulneráveis e muito endividados autorizem o recebimento de ofertas de crédito, evitando o envio automático dessas propostas.

Galípolo também alertou para o risco das medidas tradicionais restringirem o crédito em bancos e transferirem a demanda para instituições financeiras não bancárias, que têm menor supervisão. Além disso, o BC acompanha os impactos econômicos das apostas esportivas, que têm sido associadas ao aumento do endividamento das famílias.

O tema das apostas foi discutido em reunião do presidente Lula com ministros, incluindo o presidente do Banco Central, mas ainda não há decisão sobre possíveis restrições ou proibição total das apostas online.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *