Desde 1947, deputados e senadores apresentaram 511 projetos de lei ligados ao futebol no Congresso Nacional. Entre eles, ideias que parecem até inusitadas hoje, como escolher o técnico da Seleção Brasileira por voto popular e obrigar shows musicais durante o intervalo dos jogos.
Em 1986, três anos após o movimento das Diretas Já, o deputado Antonio Pontes propôs que o treinador e os dirigentes da seleção fossem eleitos diretamente pelo público. A proposta criticava a forma como o técnico Telê Santana cortou jogadores para a Copa do Mundo e pedia mais transparência e critério nas escolhas.
Outra ideia foi tornar obrigatório o exame antidoping para árbitros, também em 1986, para evitar suspeitas e garantir mais justiça nas partidas. O projeto sugeria que jogos sem essa fiscalização não seriam válidos pela Justiça Desportiva.
Décadas antes do VAR virar realidade, o uso do vídeo já era discutido no Congresso. Em 1975, um projeto propôs permitir que imagens de TV servissem como prova em julgamentos esportivos. Em 1982, houve até proposta para instalar telões nos estádios para que os árbitros revisassem jogadas polêmicas durante os jogos. Essas ideias foram rejeitadas, e o VAR só chegou ao Campeonato Brasileiro em 2019.
Nos anos 70 e 80, também houve tentativas de obrigar apresentações de bandas musicais amadoras no intervalo das partidas, como forma de valorizar a cultura e manter o público nos estádios, reduzindo a violência nas ruas. As propostas foram criticadas por ferirem a livre iniciativa e acabaram rejeitadas.
Esses projetos mostram que o futebol sempre foi tema constante no Congresso, com propostas que vão do curioso ao pioneiro, algumas das quais só se concretizaram décadas depois.
