O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) acionou o Ministério Público Federal para investigar o envio de falsos alertas pela Defesa Civil que continham mensagens com discurso de ódio. Os alertas, disparados durante a madrugada, atingiram milhões de celulares em várias regiões do país e traziam o termo “misantropia”, que significa aversão à humanidade.

O CNDH solicitou a abertura de inquérito civil e investigação criminal para apurar a origem dessas mensagens e pediu que a Defesa Civil emita uma mensagem oficial para esclarecer que os alertas não representam posicionamento institucional. A nota também deve destacar que a apologia ao ódio é crime e viola direitos humanos.

Segundo o conselho, a plataforma usada pela Defesa Civil, ligada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, foi usada indevidamente, causando risco de desinformação, insegurança e pânico social. O órgão alerta para o aumento de manifestações extremistas no país e teme que canais oficiais sejam usados para espalhar discursos de ódio.

Ivana Leal, presidente do CNDH, afirmou que o crescimento desse tipo de discurso ameaça a convivência democrática e reforçou a importância de uma apuração rigorosa para garantir a confiança da população nas instituições. A investigação deve também analisar redes de influência e conexões com radicalização digital.

Além de Ivana, o documento foi assinado pelo conselheiro Carlos Nicodemos, coordenador da relatoria especial de Enfrentamento ao Discurso de Ódio, Extremismo e Neonazismo. A Polícia Federal já iniciou uma investigação preliminar, suspeitando de possível ataque hacker ao sistema da Defesa Civil que resultou no disparo dos alertas falsos.

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