O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou um pedido formal ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para adiar por 180 dias a aplicação de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros. O objetivo é que as taxas de 25% só entrem em vigor após as eleições presidenciais no Brasil.
Flávio argumenta que as tarifas impostas anteriormente pelos EUA não mudaram o comportamento do governo brasileiro. Pelo contrário, ele afirma que as medidas têm fortalecido politicamente o presidente Lula, que usa as taxas para mobilizar apoio, enquadrando-as como ataques à soberania nacional em um ano eleitoral.
No documento enviado, o senador diz que as tarifas acabam beneficiando o governo atual, que teria adotado uma estratégia de obstruir negociações e transformar as retaliações em vitórias políticas internas. Ele também alerta que o custo das tarifas recairia sobre a economia dos EUA e sobre brasileiros que apoiam relações construtivas com os americanos.
Flávio se apresenta como pré-candidato à Presidência e cita reuniões recentes com o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio para tratar do assunto. As tarifas fazem parte de uma investigação americana sobre práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, propriedade intelectual, etanol, corrupção e desmatamento.
Enquanto isso, o governo Lula respondeu à investigação americana, negando que haja discriminação ou barreiras brasileiras ao comércio dos EUA. O Brasil criou um grupo de trabalho para negociar com autoridades americanas e já realizou quatro rodadas de conversas.
O senador propõe que as tarifas sejam suspensas por 180 dias, com possibilidade de extensão por mais 90, para dar espaço a negociações de boa-fé. Caso o governo brasileiro não avance, as taxas seriam aplicadas automaticamente. Flávio também sugere que os EUA usem outras medidas mais específicas, como sanções financeiras e restrições de visto, para atingir responsáveis sem prejudicar o setor produtivo e a população brasileira.
