O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), quer aprovar ainda em 2026 o sistema distrital misto para a eleição dos parlamentares. A proposta tem apoio do Centrão, incluindo o PSD de Gilberto Kassab, e mira alterar a forma de escolha dos deputados, diminuindo a influência dos puxadores de votos.
No sistema distrital misto, parte dos deputados será eleita diretamente pelos distritos, no modelo majoritário, enquanto o restante das cadeiras será distribuído conforme listas partidárias. Isso contrasta com o atual sistema proporcional, que usa o quociente eleitoral para definir quantas vagas cada partido conquista, beneficiando candidatos com grande votação individual.
Partidos como PSD e MDB, que têm forte presença local, apoiam a mudança por acreditarem que prefeitos poderão influenciar mais a escolha dos candidatos. Já siglas que cresceram com o modelo atual, como o PL, resistem à alteração, pois aproveitam o puxador de votos para ampliar sua bancada.
Nas últimas eleições, cerca de 60 deputados foram eleitos graças ao desempenho de puxadores de votos, que ajudam a eleger colegas da mesma legenda. Esse mecanismo ganhou destaque nacional com Tiririca em 2010 e agora conta com apoio de políticos influentes nas redes sociais, como Nicolas Ferreira.
Além do sistema eleitoral, o debate inclui limites para transferência de votos e regras para propaganda política digital, temas previstos para votação ainda este ano. No entanto, a resistência do PT e do PL, que possuem parlamentares com grande capacidade de mobilização, pode travar a aprovação da proposta.
