Jão surpreende ao apresentar seu quinto álbum, ‘Memórias póstumas’, um trabalho mais calmo e introspectivo que reflete o luto pela morte do pai, Carlos Alberto Balbino, em junho de 2025. O cantor usa as 14 faixas para expor sentimentos profundos, quase todas compostas por ele, com colaboração do parceiro Pedro Tófani.
O disco abre com a faixa ‘Catedral’, que já mostra a dor e a reflexão sobre a perda. Apesar do clima mais reservado, Jão mantém momentos de suingue, como em ‘Aurora’, que mistura batidas de funk com seu canto a capella. O violão ganha destaque em músicas como ‘Literatura’, reforçando o tom pessoal do álbum.
O amor também é tema central, especialmente na relação afetiva com Pedro Tófani, presente em várias canções. Em ‘Eu sempre volto’, Jão fala sobre vulnerabilidade e memórias, enquanto ‘João’, escrita por Pedro, traz o cantor explorando notas mais agudas e falsetes. O cotidiano na cidade de São Paulo serve de inspiração para baladas como ‘Tudo me lembra’ e ‘Coincidências’.
O álbum ainda traz uma quebra no meio com ‘Jabuticabeira’, que mistura rock dos anos 1980 com folk, mostrando a versatilidade do artista. A produção, sem participações especiais e sem singles lançados antes, confirma a maturidade e a coesão do trabalho.
O encerramento emocionante vem com a faixa título, onde é possível ouvir risadas e a voz do pai de Jão, simbolizando o ciclo de vida e morte presentes no disco. ‘Memórias póstumas’ consolida Jão como um dos principais nomes da música brasileira atual, trazendo canções sinceras que conectam luto e amor de forma única.
