Larissa Luz estreia seu quarto álbum solo, ‘Desmonte’, nesta sexta-feira (29), trazendo um som que une a fúria dos tambores com a força do rock. O trabalho é marcado por uma produção que valoriza arranjos pesados e letras de forte impacto social.

O álbum, produzido por Danilo Panda e Ícaro Motta com colaboração da própria cantora, destaca faixas como “Acorda”, “Intensa” e “Fúria do tambor”, onde o samba aparece discreto diante do peso do rock. A abertura com a música “D.e.s.m.o.n.t.e” mostra a aproximação da artista com o rock hardcore, reforçando seu discurso firme e altivo.

Em canções como “Careta”, Larissa usa versos de cantigas populares para desafiar o machismo, enquanto “Sem sal” questiona a estrutura comercial do Carnaval de Salvador. A faixa “Viola”, com percussão de Lippe Batera, reafirma o posicionamento contra o racismo estrutural e rejeita o papel de vítima esperado do povo negro.

Embora o disco carregue influências de ritmos baianos, como o pagodão, sua base é claramente o rock, com doses precisas de eletricidade e eletrônica. A sonoridade mantém raízes na Bahia, especialmente em referências ao ijexá e samba-reggae, conectando a tradição afro-baiana ao gênero.

O álbum ainda traz participações especiais nas faixas finais: a rapper Áurea Semiseria em “Antiparasita” e Zé Atunbí, ex-Afrocidade, em “Retomada”. Essas parcerias reforçam o tom de resistência e o chamado por representatividade negra no poder, marcas do trabalho de Larissa Luz.

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