Nas redes sociais, fãs têm reclamado da dificuldade para entender o que alguns cantores brasileiros estão cantando. João Gomes, Melody e Luísa Sonza estão entre os mais comentados, com críticas sobre a dicção embolada e letras confusas.
Especialistas explicam que o jeito de cantar desses artistas envolve fatores físicos, técnicos, tecnológicos e culturais. A anatomia vocal, o uso de efeitos em estúdio, as influências regionais e o estilo pessoal moldam a forma como a voz soa, nem sempre clara para o público.
João Gomes, por exemplo, traz na voz a influência do aboio, canto tradicional usado para guiar o gado no Nordeste, o que deixa seu canto mais nasal e com uma dicção menos clara. Seu jeito de cantar reflete também sua personalidade tímida e autenticidade, segundo treinadores vocais.
Já Melody aposta em falsetes e uma ressonância nasal forte, que alonga a voz e evita esforço vocal, mas dificulta o entendimento das palavras. Além disso, o uso de autotunes e efeitos em estúdio cria um som mais processado, que pode parecer robótico e afastar a clareza.
Luísa Sonza, influenciada pelo canto americano, usa uma técnica que valoriza a leveza e agudos, mas que não se encaixa bem no português, idioma com sílabas mais marcadas e pesadas. Isso, junto com mixagens que deixam a voz menos destacada, dificulta que o público compreenda as letras em seu novo álbum.
O problema não é só individual. No sertanejo, a busca por notas altas e agudas traz um estilo parecido com o rock americano, exigindo preparo vocal. Enquanto homens tentam alcançar agudos sem técnica, mulheres usam vozes graves para passar autoridade, mas isso também pode afetar a clareza.
Para melhorar a compreensão, especialistas recomendam que os cantores trabalhem a articulação e não tenham medo de abrir a boca ao cantar, mesmo diante das câmeras. Isso ajuda a destacar as consoantes e facilita que o público entenda a mensagem das músicas.
