Nos Estados Unidos, cerca de 43% dos jovens entre 22 e 27 anos com ensino superior estão trabalhando em funções que não exigem diploma, segundo dados do Federal Reserve de Nova York de dezembro de 2025. Esse é o maior índice desde o começo da pandemia e mostra um crescimento preocupante em relação ao ano anterior.
O problema é resultado de um desequilíbrio crescente: entre 2004 e 2024, o número de formados aumentou 54%, enquanto as vagas de nível inicial cresceram apenas 42%. Isso gera mais concorrência por menos oportunidades alinhadas à formação acadêmica.
Além da quantidade reduzida de vagas, há também um descompasso entre os cursos oferecidos e a demanda do mercado. Por exemplo, na área da saúde, as vagas cresceram, mas o número de formados subiu pouco. Já em ciência da computação, o número de graduados disparou, mas as vagas praticamente não aumentaram.
Outros fatores que impactam esse cenário são os juros altos, políticas comerciais, menor rotatividade nas empresas e o avanço da inteligência artificial, que tem reduzido contratações para cargos de entrada em setores como tecnologia e marketing.
Histórias como a de Cody Viscardis, formado em ciência da computação que precisou trabalhar como eletricista enquanto busca uma vaga na área, ilustram o desafio enfrentado por muitos jovens. Mesmo com jornadas longas, eles continuam investindo em cursos para tentar uma recolocação.
Especialistas apontam que essa fase de subemprego pode durar até cinco anos, mas o cenário mostra que ter um diploma não garante mais a entrada direta no mercado de trabalho na área desejada.
