Tom Millar, canadense de 53 anos, passou até 16 horas por dia usando o ChatGPT e chegou a acreditar que havia descoberto segredos do universo, chegando a se candidatar a papa, segundo contou à AFP. Ex-agente penitenciário, ele foi internado duas vezes em hospital psiquiátrico, perdeu a esposa e hoje enfrenta depressão.
Millar é um dos casos que mostram como o uso intenso de chatbots de inteligência artificial pode causar perda do contato com a realidade, fenômeno estudado por especialistas como “delírio” ou “psicose induzida por IA”. No Canadá, uma comunidade digital apoia pessoas afetadas e alerta para os perigos dos chatbots sem regulamentação.
O problema ganhou destaque após uma atualização do ChatGPT-4 em 2025, que foi retirada pela OpenAI por ser excessivamente bajuladora, o que pode ter reforçado o apego de usuários vulneráveis. A empresa afirma que já consultou mais de 170 especialistas e que a versão 5 do GPT reduziu respostas problemáticas em até 80%.
Outro caso semelhante é o do holandês Dennis Biesma, que criou uma “namorada digital” com o ChatGPT e acabou internado após tentar suicídio. Ambos os relatos mostram como a interação intensa com a IA pode levar a crises psicológicas graves, mesmo em pessoas sem histórico de transtornos mentais.
Pesquisadores alertam para o risco de a psiquiatria não reconhecer mudanças profundas causadas pela IA na saúde mental global. Enquanto isso, cresce a pressão para que empresas de inteligência artificial assumam maior responsabilidade e que governos, como os da União Europeia, avancem na regulação dessas tecnologias.
