A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou um aumento de 26% na renda mínima integral, que passou de US$ 190 para US$ 240, cerca de R$ 1.200 por mês. O reajuste foi o primeiro após a saída de Nicolás Maduro, mas não representa um aumento real no salário mínimo oficial, que permanece em cerca de US$ 0,30.
Esse valor inclui um salário base muito baixo e bônus pagos pelo governo, que não contam como salário formal e não garantem direitos trabalhistas como férias ou aposentadoria. Na prática, o governo tenta melhorar a renda dos trabalhadores com esses bônus, mas o impacto é limitado diante da inflação alta e persistente.
Apesar do discurso oficial de que este é o maior aumento dos últimos anos, o valor ainda está longe do necessário para cobrir a cesta básica de uma família média, estimada em cerca de US$ 677 (R$ 3.385). Nas ruas de Caracas, a reação é de insatisfação e resignação, com moradores dizendo que o valor mal cobre o básico para sobreviver.
Enquanto apoiadores do governo celebraram o anúncio durante uma marcha, grupos de trabalhadores organizaram protestos pedindo aumentos maiores e direitos trabalhistas, mas foram impedidos de avançar pela polícia. Eles defendem que o salário mínimo deveria ser pelo menos o equivalente a US$ 1.500 (R$ 7.500), valor que consideram necessário para uma vida digna.
A capital amanheceu com bloqueios e forte presença policial, dificultando o trânsito e impedindo as manifestações. A população segue dividida entre a esperança por melhorias e a crítica à insuficiência do aumento anunciado.
