O Brasil deve colher uma safra recorde de café em 2026, o que pode ajudar a conter a alta dos preços nas prateleiras. Mesmo assim, o valor do quilo dificilmente voltará ao patamar de seis anos atrás, quando custava cerca de R$ 16,45.
Nos últimos anos, o mercado sofreu com secas, geadas e calor intenso, que reduziram a produção entre 2021 e 2024. Hoje, o preço médio do café moído no varejo está em torno de R$ 63,69, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
Desde o início de 2025, o preço pago ao produtor começou a cair, influenciado pela expectativa de uma safra maior no Brasil e no exterior. A inflação do café moído vem desacelerando desde julho do ano passado e já acumula queda de 3,6% em 2026, segundo o IPCA, índice oficial do IBGE.
Especialistas alertam que a queda vai depender da confirmação do volume da colheita e da recomposição dos estoques, não só no Brasil, mas também em outros países produtores. A previsão do mercado é que a safra alcance entre 66,2 milhões e 75,6 milhões de sacas, bem acima da temporada anterior.
Porém, o cenário climático preocupa. Para o segundo semestre de 2026, há risco elevado de El Niño, fenômeno que pode trazer secas e calor em regiões produtoras, prejudicando o desenvolvimento do café. Por isso, as próximas safras ainda podem sofrer impactos, dificultando uma queda significativa nos preços para o consumidor.
Além disso, a inflação acumulada nos últimos anos reduziu o poder de compra, o que reforça a tendência de que o café continue caro, mesmo com a estabilização do mercado.
