O Brasil enfrenta a eleição presidencial de 2026 em um momento crítico, com a imposição de uma tarifa de 25% pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e um déficit fiscal crescente, segundo o estrategista global Ruchir Sharma.
Apesar do impacto direto da tarifa ser limitado, o analista alerta que o efeito sobre o investimento estrangeiro e o ambiente político pode ser mais severo, complicando a corrida eleitoral marcada para outubro. Sharma destaca que essa é a segunda vez em pouco mais de um ano que o governo americano usa tarifas como pressão sobre o Brasil, indicando um conflito estrutural nas relações bilaterais.
Na disputa presidencial, a medida pode fortalecer a narrativa de nacionalismo do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas seus índices de aprovação estão pressionados pela inflação e baixo crescimento econômico. Já uma vitória do adversário Flávio Bolsonaro (PL) poderia levar a negociações rápidas para o fim das tarifas, mas com custos políticos internos.
Sharma ressalta que historicamente os mercados latino-americanos respondem melhor a governos de direita, com retornos financeiros mais altos nos primeiros anos. Contudo, o compromisso fiscal de ambos os candidatos é uma incógnita que pode afetar a confiança dos investidores.
O analista também alerta para os riscos de depender demais da China, maior parceiro comercial do Brasil, cuja economia enfrenta desafios demográficos e altos níveis de dívida. Ele destaca que o Brasil tem potencial para crescer e se destacar em tecnologia e energia, mas qualquer erro fiscal pode causar danos sérios em um contexto global de aumento do custo do capital.
Por fim, Sharma comenta sobre a influência das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, e o papel da inteligência artificial na economia mundial, apontando que, apesar do avanço tecnológico, a IA não será capaz de resolver sozinha as fragilidades estruturais de grandes países como a China.
