A União Europeia anunciou que vai barrar as importações de carne e produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro. O motivo é o descumprimento das regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, disse que o Brasil pode não conseguir se adaptar a tempo às exigências europeias. A mudança exigiria cerca de 30 meses, devido ao ciclo da criação bovina.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil foi retirado da lista de países autorizados porque não apresentou informações suficientes para comprovar o controle do uso de antimicrobianos. Isso impede a exportação de carne bovina, de frango, cavalo, tripas, pescado e mel para o bloco europeu.

Além da UE, a China também impôs restrições ao setor com cotas e sobretaxas para a carne bovina brasileira a partir de 2026. A medida limita a exportação anual a 1,1 milhão de toneladas, com taxa extra de 55% para volumes maiores.

Perosa alertou que as restrições já afetam o setor, com dificuldades para escoar a produção e relatos de férias coletivas em frigoríficos. Ele destacou que a queda na demanda externa pressiona os preços e as margens de lucro das indústrias, que muitas vezes operam no vermelho.

Sobre o impacto nos preços internos, o presidente da Abiec prevê estabilidade inicial, mas não descarta alta futura devido à pressão dos custos e ao aquecimento da economia.

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