Mais de 60 milhões de brasileiros vivem com dor crônica, o que representa cerca de 37% da população, segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor. Esse problema vai além do desconforto físico, podendo durar meses e impactar a vida diária de quem sofre com essa condição.
Especialistas alertam que a dor de alto impacto pode levar a depressão, uso abusivo de substâncias e até risco de suicídio. No caso dos idosos, a dor é frequentemente vista como algo normal, o que prejudica a qualidade de vida desse grupo.
O cenário é ainda mais grave para pacientes com câncer. Entre 60% a 80% deles sentem dor, e 90% dos casos poderiam ser tratados, mas na prática, o atendimento é insuficiente. Um dos desafios é o medo dos profissionais em prescrever opioides, fenômeno conhecido como opiofobia, que limita o acesso a um tratamento eficaz.
A médica Eloá Soffritti, do Hospital Copa D’Or, destaca que a dor deve ser tratada considerando aspectos físicos, psicológicos, sociais e espirituais. O cuidado integrado, envolvendo médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais, melhora a imunidade, a reabilitação e a adesão ao tratamento.
Em 2023, a International Association for the Study of Pain (IASP) anunciou o ano global do cuidado integrativo da dor, reforçando a importância do autocuidado e das terapias não medicamentosas. A mensagem é clara: quem sente dor não deve aceitar menos do que um tratamento completo e humanizado.
