Mais de três meses após a aprovação pela Anvisa, o lenacapavir, uma injeção semestral que previne o HIV com quase 100% de eficácia, ainda não tem data para ser incorporado ao SUS. O principal entrave é a definição do preço máximo pelo órgão regulador CMED, etapa necessária antes de qualquer avaliação para uso no sistema público.
A farmacêutica responsável, Gilead Sciences, enviou o pedido de precificação em março e o prazo para análise é até 3 de junho, desde que não ocorram interrupções técnicas. Sem essa etapa concluída, o medicamento não pode ser avaliado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que analisa eficácia, segurança e custo-benefício para recomendar a incorporação ao Ministério da Saúde.
Especialistas apontam que o custo do lenacapavir será um desafio para sua oferta gratuita. Nos Estados Unidos, o tratamento pode custar até US$ 44,8 mil por ano, o que dificulta sua implementação em larga escala no Brasil. Além disso, o país não está incluído nos acordos que permitem a produção de versões genéricas mais acessíveis.
O lenacapavir é um antirretroviral injetável usado para profilaxia pré-exposição (PrEP) e é aplicado apenas duas vezes ao ano, o que pode facilitar a adesão se comparado aos comprimidos diários já disponíveis no SUS. Estudos mostram que o medicamento tem eficácia próxima de 100% na prevenção do HIV, inclusive entre mulheres, grupo com maiores dificuldades no uso de outras opções.
Enquanto o lenacapavir não chega ao SUS, a PrEP oral continua disponível e é a principal estratégia de prevenção no país, usada por cerca de 140 mil pessoas. Caso seja incorporado, o novo medicamento deve ser oferecido inicialmente para grupos com maior dificuldade de adesão à PrEP diária, seguindo uma implementação gradual.
O Brasil tem histórico de negociações para garantir acesso a medicamentos contra o HIV e já iniciou diálogo com a Gilead para avaliar possibilidades de cooperação e produção local, mas ainda não há garantias de redução de preço ou produção nacional.
