O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que, apesar de avanços recentes, o Brasil ainda precisa implementar reformas fiscais robustas para garantir a queda consistente da dívida pública.
Segundo o FMI, a dívida do setor público consolidado alcançou 80,4% do PIB, o maior nível em quase cinco anos, impulsionada pelo aumento dos gastos e despesas com juros. Considerando o método internacional, que inclui títulos públicos na carteira do Banco Central, a dívida brasileira chega a 93,1% do PIB.
A instituição destacou que a economia do país tem mostrado resistência a vários choques, e reconheceu a decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em março e abril, alinhada à meta de inflação.
O FMI também ressaltou que preservar receitas extras do petróleo e ampliar o esforço fiscal podem fortalecer a credibilidade do governo, reduzir custos de empréstimos e liberar recursos para investimentos essenciais.
Para tentar controlar o crescimento da dívida, o governo adotou em 2023 um novo arcabouço fiscal que limita o aumento das despesas públicas, mas especialistas alertam que, sem cortes mais profundos, essas regras podem ser insustentáveis e a dívida continuará subindo, pressionando ainda mais os juros.
Projeções do mercado indicam que a dívida brasileira pode chegar a quase 100% do PIB até 2035 pelo cálculo nacional, e ultrapassar 110% segundo o padrão do FMI, níveis que superam a média de países emergentes e até da Zona do Euro.
